quarta-feira, 8 de junho de 2011

Afinal, o que é o amor?

O amor é entendido por alguns como um “resto”, aquilo que sobra, do instinto de sobrevivência da espécie humana. Seria algo que estaria presente, como um efeito colateral, no sentido de garantir a aproximação entre os homens, primeiro com o objetivo de garantir o acasalamento e, depois, com o cuidado da prole.

Se procurarmos ir além dessa visão fisicalista que nos aproxima dos animais, porém, poderemos constatar que o amor é precisamente aquilo que nos separa dos demais animais e pode nos conferir um status de ser humano. O amor é responsável por comportamentos incompreensíveis para uma visão de homem como um organismo determinado geneticamente. Por amor, as pessoas são capazes dos maiores sacrifícios pessoais em benefício de outra pessoa ou mesmo em benefício de um ideal. Podemos ressaltar aqui a capacidade de o homem ir muito além do instinto de sobrevivência quando dedica suas ações no mundo em proveito de uma idéia, de uma entidade abstrata que não confere, em nenhum momento, uma vantagem para a manutenção da espécie humana, sendo, algumas vezes, mesmo contrária a manutenção da vida. Podemos pensar, por exemplo, nos mártires cristãos que por amor a um ideal ofereciam sua própria vida em sacrifício, ou ainda em Sócrates que recusa o exílio, entendido aí como morte de suas idéias e prefere tomar o veneno sicuta, morte de seu corpo.

O amor também não deve ser confundido com o amor erótico, Eros, somente. Ele foge a compreensão científica e filosófica e pode ser encontrado, em alguns de seus aspectos, na arte, seja na poesia ou na música, mas nunca de forma completa. Amor é estar no mundo, ação, interação, não possui categoria, é amplo, inclui, traz para si e dá de si ao mesmo tempo. Desse modo, amor não pode ser definido conceitualmente, ele simplesmente é.